sábado, 5 de junho de 2010

As Concepções Políticas do Século XX – NIETZSCHE CONTRA O ESTADO


Em nossa época, como observa Nietzsche, o Estado tomou o lugar da Igreja. Sob o termo cultura – cuja difusão é monopolizada pelo Estado, em particular através do sistema de ensino – ele assume, sob aspectos “modernos”, “laicos”, essa missão de domesticação sistemática.

Poderes que abusam da cultura:

1º) O egoísmo das classes comerciais: O objetivo das instituições modernas de cultura deve ser o de levar cada pessoa – na medida em que sua natureza lhe permita – a reproduzir o tipo “coerente”, a prepará-lo para extrair de seu nível próprio de conhecimento e de saber o Maximo possível de felicidade e de lucro.

Afirma-se que existe uma aliança natural e necessária entre a “inteligência” e a “propriedade”, a riqueza e a cultura, e mesmo que essa aliança é uma necessidade moral.

2º) O egoísmo do Estado: Pede-se à cultura que libere as forças espirituais. Essa liberação serve, ao contrário, para forjar cadeias. “A cultura encontra protetores entre todos os que têm consciência de sua feiúra e de seu tédio e que querem se iludir por meio do que se chama ‘a beleza da forma’. A arte serve à abjeção atual”.


“A arte é o grande estimulante da vida, entretanto, o desenvolvimento da arte, geralmente de uma cultura servil, encontra em nosso tempo outros instrumentos de domesticação”.


Nietzsche argumenta contra a mania histórica do século XIX. Ele denuncia a investigação que opera uma separação entre o devir e os homens, entre a vida e os instintos que a animam.


O conhecimento do passado pode ser um estimulante para o homem ativo descobrir nele modelos, genealogias, que lhe permitirão não somente captar a origem da miséria contemporânea, mas ainda dirigir eficientemente suas armas contra o inimigo atual e derrota-lo. Essa investigação considera o passado como morto, como algo concluído ou inteiramente acabado.


O passado é passado? Essa concepção corresponde ao instinto de difamação da vida, do que é atual e forte. Mata-se o passado porque se considera que o presente está morto.


Hoje há uma estreita relação entre Estado e Ciência. Nietzsche já previa isso. Ela não fornece os meios de submeter os povos? E não promete o fim dos males que pesam sobre a humanidade, algo que os padres deixam para o além e a ciência para o futuro? O progresso cientifico levará a uma boa administração, redução do trabalho, satisfação a toda sociedade? Anuncia tanto no domínio coletivo quanto no individual, o êxito conjunto dos programas platônico e cristão.


Nietzsche destaca a constituição de uma elite científica que cada vez mais vai se distanciando dos povos – como a Igreja.


“Mentirosa é essa pretensão à positividade”. Nietzsche diz que a ciência prega uma mentira: proporcionar o máximo de prazer evitando o desprazer. Para Nietzsche quem deseja o máximo de prazer deve sofrer, pelo menos, uma quantidade semelhante de desprazer, pois prazer e desprazer fazem parte de um mesmo núcleo.


“Em sua realidade social, a ciência não faz mais do que dar sequência a esse tipo (religioso) de crenças”, já que ela também se funda em uma crença: os pressupostos.


O progresso é apenas uma ideia moderna, ou seja, uma ideia falsa. Não existe uma lei segundo a qual o desenvolvimento seria forçosamente elevação, crescimento. O que é apresentado como crescimento dos poderes e conhecimentos é, do ponto de vista da vontade, decadência. São vitórias obtidas pelas forças reativas sobre ativas, cristãs sobre pagãos, ciência sobre arte.

Há uma degeneração que se escreve a história: as forças reativas se instalam em continuidade – do platonismo ao cristianismo, do cristianismo à ciência positiva e dessa ciência ao fortalecimento do Estado. A isso que dão o nome de história da humanidade.

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