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sexta-feira, 25 de junho de 2010

FILOSOFIA DA CIÊNCIA: INTRODUÇÃO AO JOGO E SUAS REGRAS



O titulo simplifica muito bem o que Rubem Alves nos transmite no decorrer do livro, mostra como surge uma teoria e como ela vai se modificando através do tempo. Vai aperfeiçoando-se na busca da melhor explicação dos fatos.
Esse aperfeiçoamento, a troca de uma teoria antiga para uma nova, é o jogo da ciência.
A finalidade do jogo é a busca da ordem, a compreensão dos fatos. Mas não é só a ciência que busca uma ordem, o senso comum, a sua maneira, também busca a ordem, de maneira simples, cheia de misticismo e crendices. Essa maneira é errada? Não, apenas uma outra óptica da compreensão do mundo.
A busca da ordem inicia-se com um problema. A reunião dos dados desse problema levam à teoria. Essa teoria tem que resolver, ou no mínimo explicar, o “problema”. De uma forma geral, as teorias explicam muito bem todos os problemas, mas não são verdades absolutas. Aliás, na ciência, há poucas verdades absolutas, já que, Rubem Alves mostra claramente isso, a natureza responde as nossas perguntas apenas com sim e não – sendo que sim pode ser um talvez – então não há como ter certeza de uma afirmação, mas sim de uma negação da teoria na prática.
Um conceito que cai por terra é o de que a ciência faz uso apenas da razão para chegar às conclusões, aos fatos. Há, na ciência, muita imaginação para que dos dados se chegue aos fatos, pois nem sempre todos os dados estão disponíveis. Para se obter uma visão geral de um fato, se faz necessário o uso da imaginação para ocupar as lacunas vazias.
Uma das regras da ciência, apresentada por Alves é a de que, após consolidada uma teoria, é muito difícil surgir outra contrária a ela, já que cientistas trabalham buscando confirmar as teorias e não contrariá-las. Então quando surge algo contrario à teoria, considera-se uma exceção, mas quando há muitas exceções deve-se repensar na teoria.
Uma teoria é aceita enquanto explicar e resolver perfeitamente os problemas – em time que está ganhando... – mas a partir do momento que contraria suas previsões é abandonada.
Fato interessante que Alves nos mostra é que uma teoria não se constrói, ela nasce. Isso quer dizer que não há passos, para construir uma teoria, ela nasce da necessidade de explicar fatos da natureza ou reformar teorias antigas.
Infelizmente a ciência de hoje foi privatizada e impede que novas teorias nasçam naturalmente. Hoje as teorias surgem in-vitro e manipuladas geneticamente para terem as características que algumas empresas, ou o próprio Estado, exigem.


sábado, 5 de junho de 2010

As Concepções Políticas do Século XX – NIETZSCHE CONTRA O ESTADO


Em nossa época, como observa Nietzsche, o Estado tomou o lugar da Igreja. Sob o termo cultura – cuja difusão é monopolizada pelo Estado, em particular através do sistema de ensino – ele assume, sob aspectos “modernos”, “laicos”, essa missão de domesticação sistemática.

Poderes que abusam da cultura:

1º) O egoísmo das classes comerciais: O objetivo das instituições modernas de cultura deve ser o de levar cada pessoa – na medida em que sua natureza lhe permita – a reproduzir o tipo “coerente”, a prepará-lo para extrair de seu nível próprio de conhecimento e de saber o Maximo possível de felicidade e de lucro.

Afirma-se que existe uma aliança natural e necessária entre a “inteligência” e a “propriedade”, a riqueza e a cultura, e mesmo que essa aliança é uma necessidade moral.

2º) O egoísmo do Estado: Pede-se à cultura que libere as forças espirituais. Essa liberação serve, ao contrário, para forjar cadeias. “A cultura encontra protetores entre todos os que têm consciência de sua feiúra e de seu tédio e que querem se iludir por meio do que se chama ‘a beleza da forma’. A arte serve à abjeção atual”.


“A arte é o grande estimulante da vida, entretanto, o desenvolvimento da arte, geralmente de uma cultura servil, encontra em nosso tempo outros instrumentos de domesticação”.


Nietzsche argumenta contra a mania histórica do século XIX. Ele denuncia a investigação que opera uma separação entre o devir e os homens, entre a vida e os instintos que a animam.


O conhecimento do passado pode ser um estimulante para o homem ativo descobrir nele modelos, genealogias, que lhe permitirão não somente captar a origem da miséria contemporânea, mas ainda dirigir eficientemente suas armas contra o inimigo atual e derrota-lo. Essa investigação considera o passado como morto, como algo concluído ou inteiramente acabado.


O passado é passado? Essa concepção corresponde ao instinto de difamação da vida, do que é atual e forte. Mata-se o passado porque se considera que o presente está morto.


Hoje há uma estreita relação entre Estado e Ciência. Nietzsche já previa isso. Ela não fornece os meios de submeter os povos? E não promete o fim dos males que pesam sobre a humanidade, algo que os padres deixam para o além e a ciência para o futuro? O progresso cientifico levará a uma boa administração, redução do trabalho, satisfação a toda sociedade? Anuncia tanto no domínio coletivo quanto no individual, o êxito conjunto dos programas platônico e cristão.


Nietzsche destaca a constituição de uma elite científica que cada vez mais vai se distanciando dos povos – como a Igreja.


“Mentirosa é essa pretensão à positividade”. Nietzsche diz que a ciência prega uma mentira: proporcionar o máximo de prazer evitando o desprazer. Para Nietzsche quem deseja o máximo de prazer deve sofrer, pelo menos, uma quantidade semelhante de desprazer, pois prazer e desprazer fazem parte de um mesmo núcleo.


“Em sua realidade social, a ciência não faz mais do que dar sequência a esse tipo (religioso) de crenças”, já que ela também se funda em uma crença: os pressupostos.


O progresso é apenas uma ideia moderna, ou seja, uma ideia falsa. Não existe uma lei segundo a qual o desenvolvimento seria forçosamente elevação, crescimento. O que é apresentado como crescimento dos poderes e conhecimentos é, do ponto de vista da vontade, decadência. São vitórias obtidas pelas forças reativas sobre ativas, cristãs sobre pagãos, ciência sobre arte.

Há uma degeneração que se escreve a história: as forças reativas se instalam em continuidade – do platonismo ao cristianismo, do cristianismo à ciência positiva e dessa ciência ao fortalecimento do Estado. A isso que dão o nome de história da humanidade.